O último álbum da Dave Matthews Band foi o primeiro cujo processo de criação/apresentação acompanhei pelo Facebook.
Sendo a DMB uma das minhas TOP5 bands rapidamente me tornei sua fã no Facebook, numa altura em que andava a explorar as potencialidades dessa plataforma (só me registei no início do ano, para criar o grupo do Trilhar Lisboa). Então percebi como a banda ia anunciado um pouco de tudo sobre o álbum, desde a arte que corporiza a embalagem até a novidades sobre concertos agendados.
Sobre álbum é bom lembrar Goethe quando disse qualquer coisa do género, pega na tua paixão e faz dela uma obra de arte (alguém google por mim, para confirmar). É preciso não esquecer que este álbum foi terminado na ressaca da morte de Leroy Moore, o saxofonista da banda. Aliás, GrooGrux King era o seu nome espiritual dentro da DMB. E, que álbum!
Além da continuada obsessão de Dave Matthews por macacos, confirmada no tema inicial "Shake me like a monkey" ou nas letra de "Why I am", este é um álbum de músicas excelentes, com uma combinação entre melodias e letras como há muito não via (ou ouvia). E, atenção, eu temia o pior para este álbum. Sou daqueles que achava que a DMB tinha acabado com as proscritas Lillywhite Sessions, maravilhoso álbum não oficial da banda.
Mas este é, pelo contrário, um álbum que não volta apenas às raízes, não volta apenas a lembrar - como um trovão! - que Dave Matthews é um dos maiores poetas da música popular contemporânea, é também um álbum que não se mede com mais nenhum e, voltando a Goethe, se afirma como o resultado de um momento vivido até ao limite do que é possível criar. Não se pode pedir mais. Por exemplo, "Dive in": ouçam-me bem como aquela guitarra combina bem com um pedido tão simples, quanto o entrar pelo mar adentro. Apetece, ao ouvir o álbum ao volante do carro, apanhar a estrada mais rápida para a praia, descalçar apenas os sapatos, tirar as meias e, sem mais, entrar pela água.
Esta toada, simultaneamente alegre e triste, mas sempre com um tom celebratório, foi bem percebida por alguns críticos de música, como se pode perceber pela súmula que a Metacritic sempre permite.
Não sendo nem o Under the table and dreaming nem o Crash, Big Whiskey and the GrooGrux King é um álbum que se junta, sem vergonha ou desmerecimento, à lista dos melhores álbuns da banda, deixando para trás "Everyday" e outras criações menores.
Já agora, uma última coisa: o que está Eddie Vedder a fazer na segunda parte do tema "Time Bomb"? Ouçam-no bem e vejam lá se encontram as diferenças.
Peter Broderick, o autor do brilhantíssimo disco Home (bem como do não menos brilhante Float), apresenta-se no dia 20 de Maio, em Lisboa e em Portugal, pela primeira vez. Home, foi um dos discos aclamados como dos melhores de 2008 por diversas revistas como a Uncut ou NME, opinião essa que partilho.
Antes dele, há a estreia em solo português de Nils Frahm, um músico alemão que anda a acompanhar Broderick na estrada nesta aventura de 30 concertos seguidos Europa fora e trás na bagagem ainda por desempacotar o seu disco de estreia que pelo que já me foi dado a ouvir é uma obra de uma beleza estonteante.
Há cerca de dez dias perdi um amigo para o cancro. Tinha exactamente mais 30 anos que o João Aguardela. E ontem, ao deitar-me, pensava de mim para mim, com o meu chapéu, como se combate o cancro que não mata em nós. No fundo, como se combate ao ausência dos vivos. Os pensamentos foram tombando e sucedendo-se até que cheguei, não sei bem como, à urgência de uma ideia que tive há cerca de ano e meio: um projecto para mim e para o Cigano, de uma instalação sonora, com textos portugueses, originais, com duas vozes, uma guitarra e uma bateria jazz. Uma voz cantando, outra falando, assim mesmo a cortarmos, dobrarmos, moldarmos os textos. Uma coisa para se experimentar mais do que para se ouvir. Para se mastigar mais do que para se escutar. E isto, esta ideia, que seja boa ou má a sua concretização, anda adiada, por tantas e tantas razões há ano e meio. E as pessoas vão morrendo. E, verdadeiramente, reparo, nesse momento, a única coisa que nos salva do cancro dos outros, são as memórias das coisas que fizemos com elas, aquilo que delas se fez nós.
Nesta medida, a simples inspiração que os Sitiados e A Naifa, pela sua total entrega - mergulho! - na língua portuguesa, produzem sobre mim, já deixam qualquer coisa do Aguardela na minha vida. E mantém esse cancro à distância. Até que um dia venha para mim. Mas isso será outra luta.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 12:53 PM0 Vozes
1.20.2009
A Verdade apanha-se com Enganos
Notícias como esta arrancam-nos o peito... Até sempre Aguardela.
João Aguardela morreu ontem. Eu tenho idade para me lembrar dele desde antes dos Sitiados mas como não se pode andar (sempre) a viver no passado era com muito prazer que o ouvia agora N'A Naifa, que já aqui por diversas vezes louvei. A sua falta será sentida.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 12:26 PM1 Vozes
Thanks, Dave
34 times thank you. And 41 too.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 12:17 AM0 Vozes
12.19.2008
The Rose Parade keeps moving on
5 anos a amaldiçoar a hora em que te decidiste matar.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 9:21 AM0 Vozes
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 10:05 AM0 Vozes
10.14.2008
LeRoi est mort, vive LeRoi
LeRoi Moore morreu há uns dias e eu nada. Nem uma palavrinha. Nada. Um Chapeleiro pode ser maluco, maluquinho, chanfrado, xanfrado com x, à nova geração, enfim, pilulas de todo. Mas há que ter respeito. Mais, há que saber honrar quem a honra convoca. LeRoi Moore, saxofonista, e tocador, em geral, de variados instrumentos de sopro, numa das melhores bandas do mundo, que se usa designar por Dave Matthews Band, morreu. Tinha 47 anos.
LeRoi Moore era um espectáculo em si mesmo e, felizmente, estava na banda certa para isso. Qualquer actuação ao vivo da DMB é um sortilégio, em que os temas de estúdio se metamorfoseiam em luxuriantes composições, vivas até ao vibrar do último timbre. Quem os viu em Lisboa há uns meses, sabe do que estou a falar. Quem, por exemplo, tem o DVD do Central Park concerto faz uma ideia.
É, por isso, necessário um louvor, uma convocatória da memória: LeRoi Moore está morto mas restam as canções. Fechou-se o futuro, enquanto novas criações, mas resta um futuro de mil e umas audições repetidas de todas as suas magníficas interpretações e improvisações, nos álbuns de estúdio, nos concertos registados em álbum. O seu sopro perdurará assim e o seu último fôlego torna-se uma espécie de ilusão, que os discos da DMB se encarregarão de manter.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 11:58 AM2 Vozes
8.26.2008
Natural high ou O entusiasmo sóbrio dos dias
Não entrou à primeira, mas hoje dei por mim a comover-me com muitas faixas deste álbum que acompanhou uma sensação de entusiasmo geral com a vida, não obstante estar a ler diplomas legislativos numa sala de estudo em pleno Verão. O entusiasmo e o transcendente andam a par e a música por vezes tem o dom de dar um empurrãozinho na direcção de ambos.
Ainda hoje o melhor álbum para tomar sob o efeito de MDMA
Dê um chapeleiro às voltas que dê à mesa não há maneira de alterar o simples facto da vida de ser o álbum Led Zeppelin II o melhor álbum para acompanhar esses simpáticos cristais que dão pelo nome de MDMA (além de muita água, claro). Mesmo sob o efeito da vida apenas o álbum é extremamente prestável. Mas eivado de serotonina é outra coisa. Robert Plant, por exemplo, consegue dizer no primeiro tema - whole lotta love - que "I want to be your backdoor man" e passar incólume. Se isto não é classe não sei o que seja. Claro que classe não é tudo. E a concorrência é feroz. Um chapeleiro, por todo o chá da China (cheers, Stephen), lembra-se de um Piper at the gates of dawn ou de um Surrealistic Pillow. Caraças, it ain't easy. Que diabo, posso estar enganado, mas oLed Zeppelin II é que é. "Even if the sun refuses to shine I would still be loving you" diz o gajo e tem muita razão. Paz e amor e essas coisas todas. É Verão.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 2:05 AM0 Vozes
8.05.2008
Alta Fidelidade
a girar há 5 anos e 21 dias*.
* o Alta sempre foi um objecto estranho: nasceu de uma ideia minha e da cumplicidade cinéfila e musical com um dos melhores amigos que um Chapeleiro pode ter, o Cigano aqui presente. Depois foi buscar a justa proporção feminina e uma Lebre pareceu a melhor solução para melhorar a situação. Estava consolidado o eixo Lebre entre as Alfaces. Este é o núcleo duro (e fundador) do Alta, que se muitas vezes se encontra no gosto outras tantas se aparta. Mas o que sempre se mantém é uma certa queda para a busca pelo filamento do som que o vibra até às moléculas mais instáveis do corpo, até as obsessões mais insondáveis do espírito. O Alta é isso: uma fidelidade a música porque a música nas nossas vidas não vem apenas naturalmente, ela é-nos, naturalmente. Cinco anos e vinte e um dias parece uma boa data para celebrar um desaniversário tão feliz como outro qualquer, que todos aqueles que têm username e password para aqui escrever merecem partilhar. E os nossos leitores, que por aqui tropeçam e alguma coisa levam ao prosseguir, espero. A mim, com o passar dos anos, alegra-me, não a velhice - cinco anos ainda é muita meninice - mas a carolice. Somos uns carolas, nós, com tanta, tanta obrigação em cima e mesmo assim um tempinho para postar, deixar umas linhas, um video, um título. Isso ainda é o que me agrada mais aqui: a música vem sempre cá parar e, nós, de uma maneira ou de outra, também. Creio que isso é a fidelidade. Tenho a certeza o Dormouse concorda comigo.
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 5:32 PM2 Vozes
7.28.2008
Flaming Lips - Feeling Yourself Disintegrate
Não é que isto interesse muito mas este é um dos temas da minha vida. Não sei se é o inicio que arranca promissor, se a descrição de um sentimento negativo que se revela libertador. Eu oiço isto e sinto-me leve. Go figure...
*Para os que perderam o concerto no festival Alive, para os que lá estiveram e se divertiram durante uma hora e para os que me confessaram que nunca tinham ouvido falar da banda (ouçam o resto do álbum)...Aqui vai outra:
Hoje para mim, é dia de Chico Buarque. Estou naqueles dias em que me essencial escutar toda a sua discografia e apanhar vídeos raros no youtube. E este aqui que mostro, apesar de mostrar uma realidade que parece longe, tem o seu quê de actual. A censura, o sufoco, o calar a voz, o prender os movimentos, o ataque aos direitos mais básicos do ser humano, o retrocesso nas liberdades que tanto demoraram a serem conquistadas e que hoje estão a ser postas em causa, a postura do estar quieto quando a informação hoje está de tal maneira disponível que torna a nossa inércia num dos maiores crimes da humanidade. O Chico insurgiu-se, insurge-se. E nós, se calhar, devíamos fazer o mesmo... ou estaremos assim tão confortáveis?
Não querendo voltar a este assunto, mas voltando...
Não conheço Luís Filipe Rodrigues, que escreveu ontem no DN sobre o concerto, também ontem, de Cat Power no Coliseu dos Recreios, mas já gosto dele só pela maneira como terminou o seu artigo:
"A sala lisboeta esgotou para um regresso muito aguardado, depois de uma actuação em 2003 que foi o desastre esperado, e de um espectáculo morno na Aula Magna, em Dezembro de 2006, que não convenceu a maioria dos presentes apesar da ausência de sobressaltos". E eu que pensava que tinha sido só eu a não ficar convencido...
Como não estive lá ontem, alguém pode contar como foi?
entoado por Miguel Maria de Chapeleiro Maluco @ 6:48 PM3 Vozes
5.27.2008
ZDB, 31 de Maio, 8 euros
Aproveitando a deixa do Cigano (post anterior), coloco aqui um video da Scout Niblett com a participação de Bonnie Prince Billy. Esta cantora britânica, que rouba o nome artístico - Scout - a uma deliciosa personagem do romance de Harper Lee- To Kill a Mocking Bird (Nâo Matem a Cotovia, em português)-, vai estar em Lisboa para a semana na galeria ZDB.